Sistema de Planejamento de Casos Clínicos - Sequência de Tratamento de Caso Clínico Classe III

(Planejamento Ortodôntico) Um passo-a-passo para o tratamento de má-oclusões de Classe III
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Introdução

A má oclusão de Classe III inclui componentes esqueléticos e dentários que podem variar a partir do conceito de normal ou ideal.

Apresenta a menor prevalência entre as más oclusões, com diversos percentuais, variando de acordo com a população estudada, região e tamanho da amostra.

Esse tipo de má oclusão acomete de 0,5 a 5% dos indivíduos na Europa e EUA 2,3%, de 2 a 5% da população brasileira e de 4 a 13% da população japonesa.

A má oclusão de Classe III pode ser classificada em:

1) Classe III verdadeira, devida à deficiência maxilar, prognatismo mandibular ou ambas as situações;
2) Pseudoclasse III
3) Classe III dentária


Sendo que a maioria dos estudos relata que a deficiência maxilar é o fator etiológico predominante.

As estratégias de tratamento são dependentes do tipo de má oclusão e da idade do paciente; contudo, o diagnóstico correto é imprescindível.

Quero conhecer 3 pontos capitais para não errar nenhum planejamento de má-oclusão de Classe III

O tratamento precoce é sempre indicado e tem se mostrado eficiente, diminuindo as adaptações funcionais e o número de pacientes submetidos ao tratamento orto-cirúrgico.

Entretanto, torna-se necessário o acompanhamento desde da infância até o fim do crescimento.

Sistema de Planejamento de Casos Clínicos Manhattan

O portal Manhattan é um site especializado em consultoria de casos clínicos em Ortodontia.

O portal apresenta uma grande infraestrutura interna (banco de dados com mais de 2 mil casos tratados, 5 professores qualificados e um blog atualizado) para aqueles (estudantes, profissionais e/ou clínicas) que buscam excelência nos planejamentos de seus casos.

Trata-se de um roteiro minucioso sobre o passo-a-passo de como executar seu caso clínico com mais assertividade.

Assim, o sistema não só auxilia o ortodontista a planejar o tratamento de seus pacientes, como serve de ferramenta para o aprendizado desta etapa, utilizando o estudo de seus próprios casos clínicos como principal instrumento.

Abaixo, relatamos o passo-a-passo proposto pelo site Manhattan para o tratamento de um caso clínico Classe III precoce, bem como a sua execução. Caso clínico tratado pelo MSc. Giovanni de Carvalho.

Relato de Caso Clínico

Tratamento Interceptativo

Paciente com 8 anos de idade, procurou tratamento ortodôntico com queixa principal de “mordida anterior invertida”.

Após exame clínico e anamnese, foi solicitada documentação ortodôntica para análise completa do caso e planejamento ortodôntico através do portal Manhattan.

A paciente apresentava selamento labial passivo, perfil côncavo, terço inferior equilibrado, deficiência transversal e sagital de maxila, protração da mandíbula e sorriso deficiente.

Encontrava-se no 2º período transitório da dentadura mista, com os primeiros molares permanentes irrompidos, relação terminal dos segundos molares decíduos em degrau mesial, mordida cruzada anterior e posterior e hipoplasia transversal da maxila.

Os objetivos principais do tratamento interceptativo foram:

Corrigir a mordida cruzada posterior e anterior, protrair a maxila, melhorar o relacionamento anteroposterior entre a maxila e a mandíbula e promover modificações no perfil facial, que apresentava-se côncavo.

O plano de tratamento descrito e adotado foi ERM com disjuntor de Macnamara modificado (com ganchos para protração), seguindo o protocolo de quatro ativações iniciais e duas ativações diárias (uma de manhã e outra à noite) a partir do segundo dia.

A paciente foi orientada sobre a importância das ativações e recebeu instruções sobre higienização do aparelho.

O aparelho foi ativado até a sobrecorreção da relação transversal dos dentes posteriores. A mordida cruzada posterior foi corrigida e sobrecorrigida em 15 dias.

O parafuso expansor foi imobilizado com resina acrílica autopolimerizável e, nesse mesmo dia, foi instalada máscara facial (MF) de Petit, com 500g/F de cada lado, com o apoio da máscara na região dos lábios posicionado 15 a 20 graus abaixo do plano oclusal.

A paciente foi orientada a usá-la 12 horas por dia, evitando o uso em período escolar. Para alcançar a força adequada, foi utilizado elástico ½” pesado, dividido ao meio por um nó.

A protração maxilar foi realizada por 12 meses, por meio de elásticos apoiados em ganchos soldados no disjuntor de Macnamara.

A máscara facial promoveu o deslocamento anterior da maxila e aumento significativo do overjet, visualizado pela relação entre os incisivos superiores e inferiores e Classe I de molares.

Além das modificações dentárias, ocorreu melhora substancial na estética facial, transformando o perfil, que anteriormente era côncavo, em levemente convexo.

Após a remoção do disjuntor e da máscara facial, foi instalado um aparelho de contenção do tipo SN3 com arco de progenia.

O aparelho foi utilizado por 6 meses.

Tratamento Ortodôntico Corretivo

Na avaliação diagnóstica da paciente ao fim do crescimento, os terços faciais estavam proporcionais, apresentava deficiência maxilar, selamento labial passivo, exposição adequada de incisivos, sorriso agradável e perfil côncavo.

Na análise das arcadas dentárias, apresentava má oclusão de Classe III de molares, Classe I de caninos, bom formato das arcadas dentárias, sobremordida e overjet normais, linha média superior coincidente e inferior desviada 1,5 mm para a esquerda, discrepância de modelos de -2 mm na arcada superior e de -3,5 mm na arcada inferior.

A opção de tratamento apresentada à paciente e sua família, foi a camuflagem ortodôntica devido ao pouco comprometimento estético, pois o perfil era levemente côncavo e não incomodava a paciente, além da leve discrepância esquelética e da possibilidade de um resultado oclusal satisfatório somente com tratamento ortodôntico corretivo.

Foram utilizados braquetes Edgewise, slot 0,022” x 0,028”, arcos de alinhamento 0,014”, 0,018”, 0,020” de níquel-titânio, 0,017” x 0,025” e 0,019” x 0,025” de aço inoxidável.

O tratamento consistiu de alinhamento e nivelamento, controle da posição dos incisivos inferiores com tie-back e elásticos de Classe III, para evitar projeção.

Além disso, foram feitos stripping para ganhar espaço para correção da linha média, intercuspidação e finalização.

6 Importantes Considerações sobre o uso de Elásticos de Classe III

O tempo de tratamento está estimado em 16 meses e, mesmo antes da remoção do aparelho, já é possível observar um bom alinhamento e nivelamento, Classe I de molares e caninos, overjet e sobremordida corretos, linhas médias coincidentes, correta intercuspidação, além de funções adequadas (protrusiva, lateralidade direita e esquerda).

Conclui-se, com o relato desse caso clínico, que o tratamento realizado com ERM e MF aos 8 anos de idade, seguido por acompanhamento durante o período de crescimento, e o tratamento ortodôntico corretivo compensatório no fim da adolescência propiciaram oclusão correta e estável, com estética facial satisfatória.

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Sobre o autor:

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MSc. Giovanni de Carvalho

Nosso C.E.O possui graduação em Odontologia pela Fundação Universidade de Itaúna (2002), pós graduação em Ortodontia, Implantodontia e Cirurgia Oral Menor, especialização em Ortodontia e Ortopedia Facial , mestrado em Ortodontia pela Faculdade Ingá - Maringá/PR. Foi Professor e Sub-coordenador do Curso de Especialização em Ortodontia da Ortoprev / São Leopoldo Mandic - Ipatinga. Atualmente é coordenador e professor dos cursos de especialização do Centro de Estudos e Tratamento da Odontologia (CETRO/BH).

Foi o idealizador e proprietário da plataforma de ensino Cetro Online. Proprietário de Consultório Particular, colaborador científico dos braquetes Infinity, palestrante e autor de diversos artigos. É membro atuante do conselho editorial da revista científica Journal of Oral Health and Dental Care. Idealizador, proprietário e produtor de conteúdo da plataforma de ensino Manhattan - Consultoria de Casos Clínicos.

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